sexta-feira, 2 de março de 2012

Alan Wake: American Nightmare

O pesadelo passou longe...
Mas que pessoa mais tomada é essa?

As primeiras telas de Alan Wake: American Nightmare deixaram todo mundo cabreiro pensando se o título tinha se tornado um jogo de ação estilo "Arcade".
Mas ai o povo da Remedinho (Remedy) explicou que haveria o Story Mode e o Arcade Action, esse sim mais brincante. Agora que AW: AN foi lançado, me diverti muito com o título, mas ele dá algumas tropeçadas que vamos esclarecer agora.

Alan Wake está caçando sua versão maligna, Seu coçadinha (Mr. Scratch) , que fugiu do Dark Place para tocar o terror, assassinar Alice Wake e se coçar em público, provavelmente. Alan acorda (e essa piada não foi intencional, sério) em um episódio de Night Springs, série da qual ele era roteirista. E para impedir Mr. Scratch, ele deve encontrar seus manuscritos que estão espalhados pelo cenário e que permitem reescrever essa realidade.


O primeiro problema de AW:AN é que o elemento chave do survival horror é o racionamento de recursos. Economizar itens, munição e evitar danos a saúde são parte essencial da mecânica de um S.H. Só quem já ficou na fissura da falta de uma ervinha (estou falando de Resident Evil, ô mente poluída.) sabe do que estou falando. Mas em AW:AN bastam 15min. de caminhada pra encontrar uma calibre 12, uma SMG, uma nailgun e lidar com o terrível dilema “hold B to trade the 12 gauge for the rifle”. Escolhas difíceis.

Além da quantidade de armas dignas de fazer inveja ao Max Payne, existem armários de itens que, segundos depois de serem esvaziados, macumbadamente voltam a ficar abarrotados de flares e munição. O verdadeiro terror quem deve sentir são os "takens", coitados. Eles são caipiras tomados pelas trevas, armados com rastelos, forquilhas, pedaços de pau e serras elétricas Tico Tico que são devidamente fuzilados a distância pelo arsenal do seu Acorda. Se o primeiro jogo era um terror com elementos de ação e influências de Twin Peaks, Stephen King e Silent Hill. Aqui é exatamente o oposto: as influências estão mais para Resident Evil 5 Um Drink no Inferno e qualquer outra coisa absurda que você quiser do Robert Rodriguez.

Ah esse cara de novo não. Nada que ele fala faz sentido
O primeiro jogo abre com a seguinte citação: "Stephen King certa vez escreveu que pesadelos existem fora da lógica e não é muito divertido explicá-los..." Algo que era aceitável e casava muito bem com o clima do primeiro jogo. Aqui, o jogador é lembrado constantemente pelo seu Acorda de que a história se passa em uma dimensão surreal e essa se torna a muleta para eventos sem uma explicação clara. Resumindo: o enredo tem mais buracos que a cara do Tommy Lee Jones. Existem várias linha de diálogos completamente inúteis e no final das contas a interação com o seu coçadinha durante o jogo é mínima. Outro tiro no pé do story mode é o fato de Alan Wake estar preso em um looping temporal, obrigando o jogador a voltar ao mesmo cenário algumas vezes. O que parece um truque barato pra extender a duração do jogo utilizando somente três cenários e segurando o enredo de avançar. Os cenários por sua vez em certos momentos sofrem de escassez de inimigos, fazendo você percorrer longos trechos por espaços amplos e abertos, armado até os dentes, sem que um redneck "taken" venha te atacar. Isso parece um efeito colateral de querer focar o título na ação junto com o receio de apagar as raízes de suspense estabelecidas pelo primeiro jogo. Esse medo de descaracterizar a franquia deixa o story mode de AW: AN no velho: "não caga nem desocupa a moita". Uma sacanagem, já que todo o suspense deveria estar no story mode pois a ação pura está no modo arcade.

Alias falando no modo Arcade ele é divertido, rápido e surpreendentemente (caralho, quantos "en" juntos.) mais fiel a franquia. O objetivo é sobreviver até o amanhecer em quatro cenários, enfrentando o povo encapetado. Novas armas são desbloqueadas conforme a quantidade de manuscritos encontrados no modo story.

Apesar desses problemas, como disse no começo, eu me diverti com AW: AN. Os gráficos em alguns momentos parecem até melhores que no primeiro jogo, com uma paleta de cores mais viva. A jogabilidade continua muito boa e o modo estória dura cerca de 5 horas.Você ainda desbloqueia brindes para o seu avatar, um conteúdo recheado levando em conta que custa 1200MP.


Apesar de AW: AN ser divertido, a sensação final é a mesma do primeiro jogo: a Remedy parece sempre entregar algo bom mas aquém do esperado. AW:AN vale a pena se você não tem um PC bom pra rodar o primeiro jogo ou já salvou no Xbox 360 e não quer jogar de novo. Enquanto Alan Wake 2 não sai, é o que tem pra hoje.

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