
É oficial: Esquadrão Suicida é o primeiro filme ruim da Dc. E digo isso pois há bons argumentos para defender Homem de Aço e Batman vs Superman. Mas aqui não há
Os membros da equipe tem uma bomba presa ao pescoço que, obviamente, será detonada caso desobedeçam.
Todos os membros carregam a bomba exceto Rick Flagg, coronel e líder de equipe e a Dra. June Moon, uma arqueóloga que acabou entrando na caverna errada e se tornando hospedeira de Magia, o espírito de uma feiticeira. Amanda Waller carrega junto de si o coração de Magia, que pode ser usado para feri-la. Rick Flagg por sua vez se apaixona pela Dra. June Moon, a hospedeira da bruxa. Algo previsto e planejado por Waller, como ela mesmo explica nos primeiros minutos do filme: Ela tem o coração da bruxa e a bruxa tem o de Rick.
Mas é justamente uma falha nessa medida de segurança que acaba permitindo que Magia escape e liberte seu irmão mais velho, outro bruxo, em uma cena sem maiores de explicações de como ou porque o fato ocorre no meio de uma metrópole. Juntos, ambos pretendem recuperar sua glória de outrora, quando eram adorados. A forma como irão conseguir isso também não recebe maiores explicações.
É então que o governo dá autorização para que Waller acione sua Força Tarefa X.
Os primeiros 15 minutos do filme que apresentam Amanda jantando com figurões do governo, tentando convencê-los a apoiar o seu projeto enquanto somos introduzidos a cada um dos membros do Esquadrão é realmente um deleite para os fãs de quadrinhos. A atuação de Viola Davis (How to get away with Murder) como Amanda é incrível, de longe o melhor do filme. Ela é poderosa, manipuladora e não muito diferente dos vilões membros da Força Tarefa X.
A presença de Will Smith como Floyd Lawton, o matador de aluguel conhecido como Pistoleiro é outro mérito do filme por dois motivos: A atuação de Will que nunca fica devendo e o fato de ele ser só mais um membro da equipe. O ator, que é conhecido por "tomar conta" dos projetos que participa e sempre prezar pelo protagonismo, segura aqui esse ímpeto e entrega uma atuação competente e moderada, dividindo bem a tela com o resto do elenco.
Rick Flagg, interpretado por Joel Kinnaman (Robocop, 2014) consegue convencer de que é matéria prima para um herói nacional: Coronel condecorado, líder nato e formado em Westpoint. O "Capitão América" da equipe de desajustados faz um contraponto ideal para o personagem de Will Smith. Sempre que dividem a tela, o antagonismo entre ambos resulta em boas cenas.
Aliás vários membros da equipe fazem parte da galeria de vilões do Batman, portanto é previsível a participação do Morcego de Gotham, uma surpresa que o próprio trailer já entregou. Apesar de ser um delicioso fan service, a aparição do Homem Morcego acaba ressaltando furos do roteiro; "Porque não chamaram o Batman? O que ele estava fazendo de tão importante para não tentar salvar a Terra?"
É notável também como o filme mudou de tom drasticamente desde o primeiro trailer, quando lembrava mais Corações de Ferro (Fury 2014) o trabalho anterior de David Ayer. Durante a campanha de divulgação, Esquadrão Suicida foi recebendo doses graduais de humor e diversão, com trailers cada vez mais cheios de piadas e cartazes cada vez mais coloridos, numa tentativa de se aproximar do tom dos filmes da rival Marvel. Tudo devido a decepcionante performance de Batman vs Superman nas bilheterias.
É sabido que essa estratégia levou a uma série de decisões que tornaram turbulento os bastidores da produção:
O elenco foi obrigado a retornar para refilmagens e foram montadas duas versões do filme, uma mais parecida com o tom do primeiro trailer e outra menos sombria, já que essa foi um aspecto muito criticado em Batman vs Superman. A decisão final foi tomada em um consenso entre estúdio e diretor, resultando em uma terceira montagem, a versão que chegou aos cinemas.
O resultado final é uma colcha de retalhos: A trilha sonora composta por clássicos pop e rock parece forçada e deslocada em muitos momentos, alguns membros do esquadrão são introduzidos de forma corriqueira e sua participação é mínima no filme. Mas isso não parecer ser exclusivamente culpa da tal montagem: O próprio roteiro erra ao utilizar uma equipe de vilões "B" para lidar com uma ameaça de grande escala, do tipo "A". Como já dito, em um mundo sem heróis, seria compreensível apostar as fichas na equipe inusitada, mas aqui fica difícil acreditar que não havia outra opção disponível. Isso sem contar que no fundo não há uma justificativa para a existência do tal "Esquadrão Suicida", a ameaça nasce da formação do próprio grupo e vice-versa. E o roteiro também não convence que essa seja uma missão "Suicida"
E o produto final não parece frustrante apenas para os fãs de quadrinhos: Acumulando bilheterias mornas desde Homem de Aço (2013), quando o estúdio decidiu levar os heróis da Dc Comics ao cinema, Esquadrão Suicida ultrapassa a marca dos 635 milhões de dólares até o momento da publicação dessa crítica. O que não parece nada mal para um filme com um orçamento de cerca de 175 milhões de dólares. Fontes internas porém afirmam que o filme será considerado um sucesso oficialmente se chegar a marca dos 750 milhões de dólares, uma possibilidade remota já que essa é provavelmente a última semana da produção em cartaz.
E no meio disso tudo, onde fica o Coringa do Jared Leto?
O maior protagonista de todo o material de divulgação, teve sua participação no filme reduzida a uma aparição. O ator que teve sua interpretação como o palhaço do crime exaltada a exaustão em notas entregue a mídia especializada, acabou sendo a maior vitima de todo esse processo de reformulação do filme.
Em entrevistas recentes, Leto não fez questão de esconder sua insatisfação com os cortes sofridos.
Depois de passar meses atuando sob o método "Stanislavsky" (método sob o qual o ator se mantém "no papel" até que o trabalho esteja concluído) o Coringa de Jared Leto foi reduzido a uma "Cameo", uma participação especial.
Uma maldade da qual nem o Batman foi capaz de cometer com palhaço do crime.
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