Já que levei mais de 100 horas para encerrar MGSV:TPP foi impossível escrever uma análise pequena. Mas em homenagem ao enredo do jogo, Decidi dividi-la em 2 capítulos. Capítulo 2 – [FINAL]“O Homem que vendeu o Mundo”
Toda a liberdade e variedade oferecida por Metal Gear Solid V: The Phantom Pain têm um preço: Kojima parece ter dado ouvido as críticas de Metal Gear Solid IV, que trazia cerca de 8 horas de cutscenes(!) e opta aqui por deixar o jogador no controle a maior parte do tempo, desenvolvendo uma boa parte do enredo através de fitas cassete que são liberadas ao longo do jogo. A ideia é ouvi-las enquanto se executa outra tarefa. É uma decisão corajosa levando em conta que Metal Gear é uma franquia que tem suas origens enraizadas na tal “experiência cinematográfica”. Ainda assim, não é incomum passar 3 ou 4 missões sem uma atualização sobre o desenvolvimento do enredo.
Essa decisão acabou gerando uma trama de complexidade bem mais tímida do que estamos acostumados a presenciar na saga. Boss ainda carrega as mesmas motivações de “Peace Walker” e, apesar de genial no seu conto de “Vingança”, a primeira parte da trama não traz grandes reviravoltas . O segundo ato, “Raça” apresenta ótimos temas mas acaba desenvolvendo os em extensas fitas de áudio das quais é fácil desviar a atenção e que exigem uma atenção especial. Elas acabam sendo deixadas de lado para um outro momento, quando o jogador não tiver nenhuma missão mais interessante para cumprir. Se por um lado a trama não apresenta reviravoltas e complexidade, por outro lado permite testemunhar de perto o nascimento da lenda Big Boss. E dessa vez o jogador se sente muito mais imerso nos pensamentos de Snake do que em qualquer um dos jogos anteriores. Enquanto David Hayter sempre será a voz incrível que deu vida a Snake/Big Boss nos jogos anteriores, a versão soturna de Kiefer Sutherland é ideal para essa versão, que precisa de algumas horas de jogo antes de ser compreendida. Apesar de ser uma lenda viva, admirado por todos na base, esse Boss é um homem triste e solitário, que parece só se sentir vivo no campo de batalha. Apesar de incrivelmente detalhado e executado, como dito no início do texto, o jogo parece uma carta de despedida, porém uma carta incompleta: Rumores apontam que um dos motivos do rompimento entre Kojima e Konami seriam a antecipação do lançamento de The Phantom Pain em 2015, em vez de 2016.
Em entrevistas, Kojima-san afirmou que os temas de The Phantom Pain são “Vingança” e “Raça” que literalmente divividem o jogo em dois capítulos. Porém, recentemente alguns usuários conseguiram extrair arquivos escondidos no jogo que indicam que originalmente seriam 95 missões principais ao contrário das 50 disponíveis. Um tópico a ser discutido futuramente. O fato é que The Phantom Pain tem a sua conclusão porém deixa alguns personagens e elementos com “gaps” cronológicos dentro da saga. Teria Kojima planejado o enredo dessa forma ou simplesmente não pôde concluir a tempo? Ou esses furos seriam na verdade segredos escondidos no jogo que ainda serão revelados? Teorias da conspiração já começam a povoar a internet e elas serão discutidas futuramente. Uma coisa é certa: O final permanecerá na sua cabeça por um bom tempo. Um final digno de uma saga que também permanecerá durante muito tempo na cabeça dos gamers.