sábado, 18 de agosto de 2012

Galerias de Arte e acessibilidade: O novo arcade?

Cubismo nos labirintos de
"The Cat that Got the Milk"
Todos tem boas histórias e boas lembranças da era dos “fliperamas”. Um local visto como um templo sagrado onde "todos" iam pagar um tributo para ter direito a míseros minutos de jogos sensacionais. Jogos cujos gráficos e sons eram incríveis demais para os consoles reproduzirem com fidelidade. Isso até chegar a geração 32 bits e disponibilizar todos esses jogos cobiçados e impossíveis na sala de estar, para jogar a hora que se quisesse. A aura divina caiu por terra e foi o começo do fim para as casas de jogos.

NOTA DO EDITOR Estive no FILE dia 17 de agosto, mas devido a problemas técnicos, a matéria só pode ser postada agora. Segue as minhas percepções sobre o festival.

Desde então, nunca mais se viu algo interessante o suficiente a ponto de convencer um gamer a sair de casa e pagar para jogar na rua. O mais perto que se chegou foi a febre das lan-houses, nos anos 2000 mas que novamente , vingou enquanto o seu público não tinha poder aquisitivo para jogar Counter Strike em casa. Mas os fliperamas eram o único local onde você poderia jogar aquele jogo, independente do seu poder aquisitivo.
Mas pela primeira vez em muitos anos, tive aquela velha sensação de quando entrava pela primeira vez em uma casa de jogos ao visitar o FILE (ou Festival Internacional de Linguagem Eletrônica), que ocorreu em vários pontos de São Paulo.
Mais precisamente, o FILE GAMES que ocorreu na Galeria de Arte Ruth Cardoso, do SESI, na Av. Paulista. Além da entrada grátis, o evento disponibilizou jogos em tablets, consoles, pcs e instalações. A proposta é a interação com as obras de arte, o que pode soar sofisticado demais mas é na verdade muito mais acessível do que parece.

O "Patmap" mistura texturas e
animações que reagem a aproximação 
Tanto que a mostra conseguiu convencer até mesmo os mais inibidos a interagir. É claro que estamos falando de obras de arte que, como tais, não trabalham com algumas mecânicas de jogo como conflitos e sistema de punição e recompensa tornando-as  mais acessíveis. As obras de arte propõem uma reflexão através da interação utilizando periféricos como o Kinect em conjunto com projetores, touchscreens e até uma câmera termográfica. Além da tecnologia, toda a atmosfera do local tornam a exposição uma  experiência sinestésica impossível de ser reproduzida em casa.

"Buildasound" cria sons de acordo
 com a combinação de seus blocos.
A sensação familiar ao se aproximar de cada instalação é letárgica. A mesma de quando me deparava pela primeira vez com uma máquina nova no arcade. Interessante também foi testemunhar o pai mais empolgado que a filha adolescente, brincando com sensores de movimentos, o senhor de cabelos grisalhos se divertindo ao descobrir que pode brincar de Sra. Cecília com o quadro "noite estrelada", de Van Gogh, sem destruir a obra original.



Isso me fez imaginar um novo tipo de arcade, onde os games poderiam ter o tão cobiçado status de arte e atrair desde o jogador hardcore até o mais dos casuais ao proporcionar experiências únicas, acessíveis mas impossíveis de ser reproduzidas em casa.
É claro, não seria uma casa de jogos afinal, não haveria muito o que chamar de jogos. O que temos aqui são experiências. Apesar do termo lembrar automaticamente a linearidade cinematográfica de jogos como como Call of Duty, a experiência aqui é muito mais conceitual e profunda.

Outra conclusão que se chega depois pessoas de perfis tão distintos interagindo entre sí e entre as obras é que os games precisam ser acessíveis, independente do suposto "gênero" hardcore ou casual. A diferença entre um nível de dificuldade tem que ser maior do que o fato de um inimigo morrer com 5 ou 10 golpes. É preciso pensar menos em "easy, normal e hard" e mais em "Casual, Entusiasta e Hardcore".

Fique com as imagens e vídeos das instalações interativas presentes:

Um agradecimento em especial ao jornalista e grande amigo Jonas Carvalho, responsável pelas imagens, vídeos e sem o qual, essa matéria não seria possível.







"Rotary Tumble" - Em um disco fixo, 
uma projeção gira como uma 
roda de verdade ao ser empurrada 
pelo usuário.













"Termografia II modo manual" -
câmera termográfica estimula 
a percepção 
de poder do indivíduo 

"Stressatto: Swepping Spirals" -
uma vassoura composta por várias
hastes que, em um esforço débil,

se mexe mas não consegue 

varrer nada.
























Em "Transestruturas", fotos de
São Paulo são submetidas 
um programa que desconstrói
imagem de forma randômica 
















"VideoMatón" captura o rosto do 
espectador e insere em retratos clássicos.












Nem só de instalação vive o gamer: alguns 
dos indies presentes incluiam Journey,
The Bridge e o brasileiro Xilo.








O engraçadíssimo "Deepak fights robots"










Luz negra e mantra acompanham o vôo 
hipnótico do cubo cheio de gás hélio 

em "Paradoxal Sleep".












"Túnel" - A caminhada no corredor, 
causa uma distorção visual e sonora


"Starry Night" - o famoso quadro de 
Van Gogh ganha movimento e interação
com o toque do usuário.






















Segue o link de alguns dos jogos disponíveis na exposição:

Deepak fights robots

Once upon a Space Time

The cat that got the milk

Xilo

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