quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Street Fighter 25 anos de existência, 20 anos de memórias.


Só um garotinho de condomínio-criado-a-leite-com-pêra-e-ovomaltine-que-nunca-brigou poderia imaginar um cenário de briga de rua onde teria bolas de fogo, lutador de sumô e Yogue que estica os membros (entenda como quiser). Mas a mistura bizarra deu certo e fez escola. Eu estou falando de Street Fighter II: World Warrior (até porque o primeiro ninguém lembra direito e a jogabilidade era ruim demais).

Eu me lembro que eu estava no 7º ano do primeiro grau (o tal do "ensino fundamental") quando um colega de classe, o Luciano, me falou desse tal de Street Fighter, que “os caras lutam e soltam magia pelas mãos e tem um monstro verde que agarra o cara e fica mordendo, que agacha e dá choque e tem uns dentões e quando ganha grita…”. E zás! Depois da aula eu tinha que conferir que diabo de jogo era esse. Ao fim das aulas, Luciano me levou para o conhecer o tal de Street Fighter 2, o que significa que estávamos a caminho do boteco, que na periferia, é onde ficam os arcades. 
Era uma máquina bem parecida com essa,
que aliás está a venda aqui
Quando cheguei no local que era até grande, para um boteco, porém velho e mal iluminado, havia uns 15 garotos ou mais em volta da máquina, o que me garantiu que eu pudesse ver "alguma coisa" da tela. E devido a tudo que ele me disse, eu não esperava nada menos que algo incrível. E eu não me decepcionei:
Era uma máquina imensa, com um som alto, e os gráficos não pareciam com nada que eu já tivesse visto na vida. A máquina parecia uma Cabine de Comando© de uma espaçonave, cheia de botões e uma alavanca e os personagens davam vários tipos de socos e chutes, parecia que seus movimentos eram ilimitados. É claro que eu peguei aquele monstro que meu amigo falou, o tal de Blanka, e perdi feio. Mas até hoje eu me lembro da lâmpada pendurada por um fio todo cheio de pó, que saia de um buraco no teto, do azulejo azul de cozinha, que na época já parecia antigo e revestia as paredes do lugar, do balcão de compensado da mesma cor dos azulejos e da molecada em volta gritando pula! dá rasteira! dá a bolinha! dá choquinho! defende! Isso foi a 20 anos atrás e eu nunca esqueci. Descobri depois que outro boteco tinha um tal de Fatal Fury 2, que outros botecos tinham outras máquinas, até que um dono de um desses botecos decidiu que era melhor vender fichas pra garotos do que pinga pra bebuns e abriu uma casa de máquinas, que virou uma franquia com várias filiais espalhadas pelos bairros vizinhos. Ao mesmo tempo que Street Fighter inventou uma fórmula incrível, ela também se tornou seu carma. Ao longo desses 20 anos, vi várias tentativas da Capcom de inovar a franquia sem muito sucesso. Todas as vezes que o jogo apresentou uma mudança drástica, não agradou o público em geral. Depois de inúmeras tentativas, a Capcom optou por voltar a fórmula mais básica possível, o 2,5D. E talvez esse seja mesmo o maior trunfo de Street Fighter: poder manter os mesmos elementos de 20 anos e ainda assim atrair antigos e novos jogadores.

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