sexta-feira, 28 de setembro de 2012

As influências de Batman: Arkham City


SWEAR TO ME!
Finalmente terminei o brilhante Batman: Arkham City, que consegue enriquecer, aperfeiçoar e aprofundar a experiência do jogo anterior. Além dos avanços técnicos, o jogo aproveita o melhor de mais de 60 anos de estórias do Homem-Morcego, dentro e fora dos quadrinhos para criar um enredo que amarra até mesmo as sidequests, de forma que tudo pareça interligado e coeso. E é por isso que decidi listar os momentos mais relevantes da carreira desse combatente do crime às quais os jogos fazem referência, confira:
Batman: A Série Animada (Batman: The Animated Series, 1992)
Trazendo uma forte influência do cinema noir, um tom adulto e uma qualidade de animação inédita na época, Batman: TAS mudou a história da animação americana. A reação do desenho foi tão positiva que a Harlequina, personagem exclusiva do desenho, foi incorporada posteriormente aos quadrinhos. Até mesmo personagens que já existiam nos quadrinhos passaram a ser retratados de forma mais parecida com a do desenho, como Sr. Frio e Cara de Barro. A animação também foi o embrião do que viria a ser chamado de D.C. Animated Universe, uma série de animações baseadas nos personagens da editora, que vão desde Superman até Super Shock, sem contar os longa metragens lançados direto em home vídeo.

Por que? Os dois jogos tem o roteiro assinado por Paul Dini, criador e produtor de Batman: TAS e de todas as outras séries citadas acima. Não bastasse isso, grande parte do elenco da dublagem original reprisa o seu papel no game, reforçando a sensação de que os jogos são uma extensão/sucessores espirituais da série animada. Uma pena que nos jogos não tenha a opção da dublagem em português com o elenco nacional que em muitos momentos, supera a dublagem original (O Kevin Conroy é muito bom, mas Marcio Seixas é a verdadeira voz do Batman).


Uma palinha da voz de Marcio Seixas, 
para a nossa alegria.

Batman Nolanverse: (Ou "BatManola")
"Vai, quero ver os dois amiguinho.
Dá a mão e pede desculpa, anda..."

Em Batman Begins, Nolan decidiu transformar o uniforme com enchimento de borracha dos filmes anteriores em uma armadura realista, projetada para auxiliar o homem morcego no combate ao crime.
Por que? O uniforme dos games apesar de ter seu exterior aparentemente confeccionado em lona de caminhão, possui vários aparatos de alta tecnologia semelhantes ao do BatManola, como o modo detetive, que é muito parecido com a visão-sonar usada em O Cavaleiro das Trevas. Além disso, conforme o jogador avança, o uniforme vai se danificando e expondo seu revestimento interno, que parece composto de várias camadas. É o equilíbrio perfeito entre a armadura cinematográfica e a roupa de pano/collant/qualquer-coisa-zoada dos quadrinhos. 

Outro elemento familiar às adaptações cinematográficas do Homem Morcego é a trilha sonora dos dois jogos composta por Ron Fish e Nick Arundel. A trilha mistura elementos do tema de Batman Begins, criado por Hans Zimmer, com o da série animada, criado por Shirley Walker. E como Shirley se inspirou no tema criado por Danny Elfman para o Batman de Tim Burton, a trilha do jogo reverência de forma indireta os três compositores ao mesmo tempo.

Quadrinhos:
"Craane..."
Simon Bisley: (Batman – Julgamento em Gotham, Batman vs Lobo, Batman Preto e Branco - 2ª Ed.) Mais conhecido por suas graphic novels de LOBO, Dredd e Slaine, o Deus Guerreiro, Simon Bisley desenhou Batman em poucas ocasiões, somente nos quadrinhos citados acima.
Por que? O visual do homem morcego no game lembra muito a arte estilizada de Bisley. Assim como no traço do artista, Batman é extremamente alto e forte, um cara “grande”. Outras características semelhantes são a máscara, que apresenta feições como se Batman estivesse franzindo o cenho, as orelhas do capuz e as hastes da luva que, não são tão grandes quanto nos desenhos de Bisley, mas são ligeiramente maiores do que o normal. Nas artes conceituais do jogo, o visual é mais estilizado e ainda mais parecido.

Coringa dando uma
"Bat-checada" 

Asilo Arkham – Uma casa séria em um Mundo sério (Arkham Asylum –
A Serious House in a Serious Earth). O primeiro jogo da franquia, é levemente inspirado nessa graphic novel escrita por Grant Morrison (Homem Animal, Patrulha do Destino e Os Novos X-men) e ilustrada por Dave Mckean (mais conhecido por seu trabalho como capista de Sandman, de Neil Gaiman). Liderados pelo Coringa, os internos do Arkham dominam o prédio, tomam os médicos de refém e exigem a presença de Batman que, ao chegar ao local, descobre que tudo não passa de uma armação. O verdadeiro plano é que Batman tem uma hora para fugir de Arkham antes que o Coringa envie os internos para caçá-lo, forçando o a explorar os redutos mais sombrios da instituição.
A jornada hospício adentro se torna uma jornada na loucura de seus inimigos, de Amadeus Arkham e passa a testar os limites de sua própria sanidade.
Qual a influência? O primeiro jogo é claramente uma adaptação dessa graphic novel porém, bem mais suavizada. Alguns fatos como o encontro com o Killer Croc e a estória paralela de Amadeus Arkham, fundador do Asilo Arkham, acontecem de forma bem diferente do que ocorre nos quadrinhos. A graphic novel é bem mais pesada, e os inimigos de Batman são muito mais doentios do que estamos acostumados. Entre algumas das bizarrices, o Coringa é retratado como um degenerado e se sugere que o Chapeleiro Louco seja um pedófilo. Uma leitura obrigatória para fãs do morcegão.


A Saga também inspirou
eventos do filme
"O Cavaleiro das Trevas

Ressurge"
Batman: Terra de Ninguém ( No man’s Land) Esse arco de estórias foi publicado no Brasil pela editora Abril Jovem, na época dos seus quadrinhos “formatinho”. Gotham City, que já tinha sofrido o ataque de uma epidemia durante a saga Contágio e foi destruida ao final da saga Terremoto, sofre seu golpe final: É evacuada e isolada pelo governo dos Estados Unidos, que destrói as pontes que dão acesso a cidade. Parte dos moradores se mantém fiel e permanecem na cidade, que se torna palco da disputa por territórios entre as gangues de criminosos. Em meio a isso tudo, Bruce Wayne se encontra fora da cidade, apelando para que o governo reconsidere a decisão. A polícia de Gotham tenta manter a ordem com um número de efetivo menor e sem a ajuda de Batman, que está desaparecido a meses.
Qual a influência? Não é lá exatamente um dos melhores arcos do herói, mas a premissa do jogo é parecida: Arkham City é um lugar de anarquia, onde as gangues do Coringa, Duas caras e Pinguim disputam os territórios e policiais infiltrados tentam manter a ordem. Depois de semanas apelando à opinião pública para que Arkham City seja fechado, Bruce Wayne é capturado e jogado dentro da mega-prisão. É assim que começa o jogo. Outro fato interessante é que há vários cartazes em locais espalhados pela cidade contendo avisos de quarentena (saga Contágio) e de perigo de abalos sísmicos (saga Terremoto). Em um certo ponto do mapa, há até um viaduto desmoronado com uma placa alertando sobre perigo de terremoto.

CAIR NA NIGHT.
Você está fazendo isso certo!
Agora a referência mais interessante é também um dos easter eggs mais obscuros do jogo: Ao fim de uma das side quests, um certo personagem deixa marcado um símbolo no chão e, antes de desaparecer, fala para Batman: “Gotham vai queimar e você também”. Quando esse símbolo deixado no chão é sobreposto no mapa oficial de Gotham City durante a saga Terra de Ninguém (fonte: IGN), ele marca com precisão locais-chave da estória. O que, se levarmos em conta que estamos falando da Rocksteady pode significar que o próximo jogo do Morcegão se trate de algo muito parecido com Batman: Terra de ninguém.

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